terça-feira, 9 de março de 2010

Formidável Superação Nos Braços do Mestre

Meu pai era um oficial aposentado do exército americano, veio para o Brasil já com seus 74 anos e encontrou minha mãe em uma roda de tambor de crioula, em São Luís, Maranhão. Onde asseguro que é a cidade mais complicada do mundo para ter uma vida íntima com o Mestre, haja visto que aqui tem fortes influências de religiões africanas, e os crioulos são extremamente céticos, quando os cristãos vão pregar a palavra eles riem alto, e se comunicam em sua linguagem, certamente zombando.


Sabendo o local onde minha progenitora morava, é redundante falar que ela fazia parte da escória da sociedade brasileira, porém, sua vida mudou ao encontrar meu pai. Eles tiveram 5 filhos, mas só eu do sexo masculino. Meu pai sempre dizia, com tom ríspido e semblante hermético, que filho dele não podia ser bicha, tinha de ser raparigueiro, e os meninos dos colégios particulares que eu estudava eram todos veadinhos. Foi então que comecei a andar com os feras do gueto. Na época eu achava o máximo, arrumava brigas na escola e ligava para os manos aparecerem na frente da escola no final da aula, apontava os moleques que e me deleitava vendo eles sendo estripados.


Aos fins de semana íamos para o centro histórico, lá nós pichávamos e depredávamos os imóveis tombados pelo histórico estadual e pelo IPHAN, somente pelo puro prazer de causar a desordem e postar as fotos no Orkut. No início era só tirar os azulejos coloniais portugueses, amarrar cabos de aço nos sobradinhos e puxar com um Kadett 95 GL 1.8 até ver desabar, pichar pênis espirrando espermas e vaginas esfoladas nas paredes das igrejas do Rosário e do Desterro, e por bombas caseiras no Convento das mercês, mas depois apareceu um rapaz chamado Pablo, vulgo Cão de bico.

Cão de bico disse que nós havíamos surpreendido ele, nunca havia esperado tanto de pixotes como a gente, ele disse. Então, nos chamou para nos intregarmos à equipe dele. Sem hesitar aceitamos, e ele já lançou o propósito da vez:

- Nós vamos atinhar os irmãos – disse ele com um sorriso enigmático e um cigarro Derby balançando no canto da boca.

- Que irmãos? – perguntei.

- Os irmãos da igreja.

- Mas a gente já faz isso, atacamos o Convento e as igrejas do centro histórico.

- Estou falando dos evangélicos, seu quebra rola!

Naquele momento tremi, me desculpei e falei que estava dentro. Combinamos no sábado, após uma sessão de “Brasileirinhas” na casa do negro Osmar, iríamos planejar o atentado. Após o filme, Cão de bico me deu uma grana e mandou eu ir comprar 1 Racumim (veneno para ratos). Já começei a temer pelo que ele planejara.

- É o seguinte cambada, nós vamo colocar esse veneno nos galões de vinho da ceia da Assembléia de Deus.

- Mas Cão, como nós vamos conseguir por o veneno no vinho? – perguntei.

- Já pensei em tudo, John Taylor, você estuda no colégio dos bacana, não é mesmo?

- É.

- Então, a presbítera da igreja é mãe de um dos teus coleguinhas, tú entra lá dizendo que veio visitar o cara e põe o Racumim. Agora anda logo fila da puta!

- Mas... Que tal a gente por uma bomba caseira lá? Vai espantar todo mundo...

- Que mané espantar, seu enpena rola! Tú é que nem galinha, amolece na pressão?

- Tá. Me dá o Racumim tô indo.

O problema é que eu não tinha a mínima amizade com o João Vinícius, filho da presbítera. Eu já até tinha mandado os caras darem um pisa nele. Mas eu fui lá, o medo me consumia, não queria de modo algum ser sodomizado pelo Pablo. Toquei a campainha e a mãe dele veio me recepcionar com um largo sorriso, disse que o João estava no banho, mas que logo ele desceria, me ofereceu um chá e uns croissant deliciosos. Ela falou da alegria de me receber ali. Meu coração estava apertado... Cada vez mais, com cada gesto de bondade daquela senhora.


Disse que precisava ir a merceária e que logo voltaria. Cheguei na quitanda e comprei dois purgantes e voltei à casa do João. Quando ele me viu já foi fechando a cara, perguntou o que era, e eu falei que estava passando por perto e resolvi encostar. Ele me olhava furiosamente. Pedi licença para ir ao banheiro e coloquei o veneno nos galões que estavam em um quarto com inúmeras bíblias e harpas cristãs repousadas sobre móveis de mogno bem lustrados. Coloquei até a última gota. Depois fui à cozinha e pus os purgantes na comida.


Naquela noite morreram 320 fiéis, ao som do reteté e de línguas estranhas que que inundavam a igreja do espírito santo. Arrependi-me severamente, a tristeza não foi maior por que o João e sua família não foram mortas por minhas mãos pecadoras, devido à forte caganeira que os atacou naquela noite. Parei de andar com aqueles caras e mudei de cidade, fui morar em um lugar longíquo e inóspito, Itaberaí, Goiás.

Lá eu conheci um homem que tem a cor do café por fora, mas é alvo como a neve por dentro. Um homem que viu nos meus olhos o peso de uma vida sem Jesus, e me mostrou a palavra da vida.

Pastor John Taylor

Texto Redigido pelo obreiro Lucas Nash

3 comentários:

Anonymous disse...

Testemunho ungido por demais!

Anonymous disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Nunca saiu na midia essa chacina
mentirosso filho da puta

Anonymous disse...

HWUHEUHEUHEUHEUHEUHUEUHEUHUEHUE

Morri!

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