sexta-feira, 28 de junho de 2013

A conversa com Deus

Muitos sabem o que é sofrer pela frustração de não ter. Eu era mais um desses. Só que diferente dos demais frustrados, que uma hora aceitam aquilo que tem e o que podem ter, eu tentava de todas as formas ser diferente da multidão, e me igualar ao pequeno grupo dos bem-sucedidos. Se Deus existe, pensava, ele nos fez para aceitar o fardo de 'fracassado' ou para que , pelo nosso progresso pessoal, nos tornemos pessoas melhores a cada dia? Essa era a minha dúvida, uma dúvida cruel. Minha educação católica fazia-me inclinar a segunda opção, já que os próprios mártires da Igreja podem ser alçados a estado divino (os tais 'santos'), saem da condição humana para se tornarem deidades. Mas uma coisa eu tinha certeza já nessa época: católicos entendem pouco ou quase nada sobre as coisas de Deus.

Segui então a minha peregrinação para encontrar a resposta, frequentando muitas igrejas e seitas diferentes, os tais representantes de Deus, e cada uma me dava uma nova perspectiva, mas nenhuma resposta. Cheguei a conclusão de que somente Deus, o criador, que reside nos condomínios do paraíso com vista para o universo além, só Ele poderia me dar a derradeira resposta. Se é que Ele existisse.Procurei bastante por Deus, por meses, em muitos lugares santos e mundanos mas não O achei. Tomei então a decisão mais fácil ( e covarde) que já fiz na vida: passei a desacreditar n'Ele, por não conseguir encontra-lo, por não ter o que queria ( como uma criança mimada eu agi).

Um dia comum, então, quando saía de um boteco carioca, a altas horas da madrugada, deparei-me, ao lado da saída dos fundos do lugar,com um mendigo bêbado, trajando um terno branco todo surrado e fedorento, sapato bicolor e com uma gravata azul brilhante, estranhamente, impecavelmente limpa. Ele se virou para mim e disse:



-Olá, amigo... estava mi procurando?

- Quem? Eu? Não.

- Você mesmo. Tava por aí, por todo canto me procurando que eu sei. Eu sei de tudo!

- Tudo bem aí, vovô? O senhor não parece bem. deve ser de tanta cachaça

- Larga de ser sonso, meu filho. Você me procurou porque sofre, mas não me encontrou ( eu tava ocupado com uns lances aí).Mas não se revolte, estou aqui pra você.

- E quem é você? Por acaso é Deus para saber tudo.

- Sou. E você é Edinaldo, e me procura a tempos para sanar uma dúvida... Ou seria para salva-lo de sua miséria?

- Você sabe meu nome... grandes coisa! Deve ter ouvido no bar, lá dentro.

- Sei também que teu pinto é pequeno, afinal fui eu quem o fiz.

- Me viu mijando aqui no beco. Onde já se viu, um Mendigo manja-rola, cara...

- Sei de tudo sobre você. Sei até de sua fimose e da primeira vez que tentou comer uma menina, a Carminha da rua de trás

- ... o que?

- Meu filho, Eu sou DEUS! Você já me procurou em tanto lugar, e lá eu estive muitas vezes, mas você não me viu. Só agora ébrio é que consegue. Faça sua pergunta, eu irei responde-la

- ... Se tu é Deus mesmo, faça cair um raio naquele prédio ali.

- Não teste teu Deus, menino! Iiich

- Tudo bem, me desculpe. Mas então você vai responder a minha pergunta?

- Vou. Diga

- Mas se você é Deus mesmo deveria saber a pergunta já...

- Moleque, não teste o TEU Deus, se não...

- Calma aí, cara. Tudo bem. Aí vai: porque existem , por exemplo, caras comedores, que comem geral e caras que não comem ninguém, são cabaço, borrachinha fraca?

- Porque nem todos podem ser comedores, não dá.

- Porra, só isso tua resposta? Explica melhor, coroa.

- Olha só, vou te dar um exemplo, filhinho: você sabe quem foi Jesus? Eu sei que você era católico e não sabe muita coisa sobre meu Filho ( que sou Eu, mas não sou Eu, porque Eu também sou Ele, Eu mesmo e o Espírito Santo)

- Deus, tu é como um megazord dos power ranger, tá ligado?

- hehehe. Pareço mesmo. Mas deixa eu continuar o que eu tava falando se não esqueço, filho. Onde eu tava?

- Falava de Jesus

- Jesus, lembra só, por mais que Eu quisesse, Eu aparecesse e tentasse lhe colocar no caminho para ele ser o príncipe dos judeus, o Messias que eu prometi, mesmo assim ele não era. Isso , claro, culpa da Maria e daquele maridinho dela, o José marceneiro, que mimaram o garoto. Ele só andava com pária, com puta e badernista, só queria saber de paz, amor, vinho e surfar as ondas descalço. Com 30 anos ainda não tinha comido ninguém. E olha que eu enviei várias mulheres da vida cheias de problemas pra ele se dar bem... e nada.

- Sei. Jesus era meio hippie. E?

- Um dia, quando eu já tinha desistido de muda-lo, apareceu uma Maria Madalena se jogando pra ele. Eu achava que ia, e o que ele fez? Nada. Ficou de conversinha. De tanto desgosto chamei-o de volta pro paraíso.

- Ué, mas Jesus não morreu?

- Então, fui eu quem fez com que ele morresse na mão dos romanos, fui eu quem o entreguei e coloquei a culpa no judas. Só que quando ele chegou no paraíso, a gente trocou uma idéia e ele me convenceu de que não dava pra mudar, o moleque era assim mesmo, um borracha-fraca.

- Tive de aceita-lo assim. E mesmo sendo do jeito que era, ele foi o cara mais famoso da história.

- Deixa ver se entendi, mesmo sendo um fracassado em alguma coisa, Jesus era um fodão em outras?!

- Não. Quer dizer que quem nasceu pra ser borrachinha, nunca será um transão! KKKKKKKKK

- Ora, seu!

Nessa hora eu tentei acertar Deus, mas um raio me atravessou e desmaiei. Acordei no UPA. Lá contei minha história para a assistente social que me indicou à um hospital psiquiátrico. Agora estou eu aqui, preso nesse manicômio, sem poder sair. Estou mandando esse e-mail pelo computador do psiquiatra daqui ( que dopei com formol) e peço ajuda aos pastores da Igreja do Primeiro Impacto, que são os representantes de Deus na terra, que me auxiliem a conseguir o perdão do Senhor Nosso Deus, para que me livre desse castigo. Com toda a paz e a Graça

Edinaldo Soares

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Outbeck, pura enganação

Relato do fiel Roland Camargo Borges, da IPI de Cascadura, Rio de Janeiro. Ditado, não redigido e não lido.

"Olá, amigos. Tudo bem?! Meu depoimento é sobre um desses restaurantes chiques e como eu fui enrolado quando fui ao lugar.




Ouvi falar muito bem desse tal de autibéqui, que é um restaurante mais que chique, que você pode comer uma costela de porco muito da boa e beber a vontade.
 Assim que meu vencimento saiu, catei a patroa, deixei os moleques na sogra e fui pro autibéqui mais próximo daqui. Assim que cheguei, peguei uma fila grande e depois de tanto esperar recebi um treco quadrado que fica vibrando e brilhando na sua mão. Fiquei mais de hora esperando sentado num banco, e com aquilo brilhando e tremendo pra mais de 40 minutos, já estava dando nos nervos aquilo. Até que fui até a senhora da portaria reclamar:

- O minha filha, tô com 47 reais pra gastar aqui e você fica aí me enrolando. Não gosta de ganhar dinheiro não? Olha que não te dou gorjeta depois, aí vocês arreclama.

Ela viu que eu tava falando muito do sério e me levou pra mesa. Como estava portando grande quantia, nem me dei ao trabalho de olhar o cardápio, eu sabia o que queria: pedi a tal costela e Aice ti pra beber. A minha mulher gosta muito, já bebeu várias vezes escondido na casa da patroa . O garçom me explicou que a bebida é refiu e que eu podia beber o quanto quisesse. Então , pra economizar, eu ia beber o mesmo que a patroa, no copo com ela, aí pagava metade. 

Enquanto esperava fui reparando no lugar: feito de madeira mal acabada, parecendo barraco de pobre, até a casa do meu vizinho Nicolau ( que é pão duro) é melhor que aquilo ali. Não vi quase nada de alvenaria...E a decoração, cheia de osso velho e pedaço de pau torto era mais feia ainda. A pobreza era tanta que eles estavam até economizando na luz, que tava fraquinha, mal dava pra ver minha patroa. Quase que eu pedi pro garçom acender a luz mesmo, mas minha patroa, a Edileusa, ficou com vergonha e implorou pra eu não falar nada. 

Antes do prato principal o garçom trouxe um aperitivo, um pão preto de tão queimado, que recusei de pronto. Me oferecer pão queimado só porque sou pobre é a mais pura sacanagem com a minha cara. Enfim o prato veio e só nessa hora que eu aprecebi da garçom que nos atendeu. Eu antes achei que fosse homem mas era uma mulher gordinha que tinha a cabeça raspada dos lados, uma dessas lésbicas. Ela ainda por cima segurava o prato enfiando o dedo na costela, que de costela só tinha os ossos, porque a carne já tinha sido comida, muito provavelmente pela sapatão. Não achei nada demais nos pequenos nacos de carne que consegui comer ( a que o Neca faz no bafo, lá no bar perto de casa, é bem melhor). Menos mal que com a costela vem um pratinho com uma sobremesa bem gostosa de maça com canela ( que comemos depois de roer os ossos). 

Pior que nesse tão lugar só tem doido varrido. Toda hora eles ficam gritando 'aee' e batem palmas pra assustar os clientes. Maior loucura, parecia até que o Sergio Malandro estava ali apresentando a porta dos desesperados. Quando eu puxei um cigarrinho de palha ( ungido), que não tem nicotina e não faz nenhum mal (então é completamente permitido), pra fumar ali, me disseram que não podia. Foi a gota dágua. Pedi a conta, que deu mais do que eu tinha em notas ( 47 reais). Tive de catar moeda na bolsa da Edileusa pra pagar e não ficar lavando prato. Ainda por cima, depois disso tudo, não me deixaram sair com minha caneca de brinde que todo mundo ganha quando vai no autibequi. Muita safadeza! Nunca mais volto lá. E recomendo aos irmãos a nunca pisarem neste lugar. Se quiserem comer uma costela, venham ao bar do Neca, que fica perto ali do viaduto, e ele ainda serve umas batatinhas calabresas com a costela que é uma dilicia!"

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ex-feminista desabafa

Pastor, irmãos da congregação, pelo auxílio do missionário Ivo (quem me trouxe aqui de carona em sua croszinha), e devidamente autorizada por meu esposo, estou aqui para contar a vocês a minha história de vida.

Eu fui, em grande parte da minha mocidade, uma mulher dessas sem jesus no coração. Tinha amigas, perdia tempo com fofocas e novelas, estudava, era fã de cantores ricos e suas contas milionárias, ajudava minha mãe em casa, namorava uns garotos por aí... Eu dizia assim: gosto de homem sincero e odeio os cafajestes. Mas era uma grande mentira porque nenhuma mulher dessas sem jesus no coração gosta de homem sincero, elas gostam mesmo do cafajeste mentiroso, que finge ser bonzinho e faz de tudo o que ela quer, só pra levar pra cama. No fim eu sempre soube quem era o sincero e quem era o cafajeste, e sempre escolhia o cafajeste, porque, ah, sei lá, eles tem quase como um cheiro de safadeza, experiência e perigo que excita.

Foi então, numa casa de show chamada I9 MUSIC, que fica aqui perto de casa, onde conheci o Naldo. O Naldo era um rapaz bastante sedutor, usava uma terno branco, blusão vermelho por dentro e sapatos sociais bicolores, um cordão de exu( demônio da macumba) no pescoço e um relógio prateado Mondaine no pulso. Ele logo me olhou e lançou uma piscadela. O odor de sua colônia Tresmarchan me fez delirar. Em pouco tempo cai em sua lábia de malandro e fomos seguidas vezes pra cama. Realizamos várias posições sexuais diferentes ( ele era zenbudista e praticava do Camasutra). Quando se cansou de mim, Naldo sumiu. Eu ligava e não conseguia acha-lo, deve até ter trocado o numero do celular. 

Depois disso eu passei por maus bocados. Fiquei deprimida, comecei a comer muita besteira ( Esfihas de 0,39 do Habbibs) e engordei 18 kilos. Sentia muita falta dele e de quando fazíamos o 'louva-deus-invertido'. Do jeito que eu tava foi ficando cada vez mais difícil arrumar homem ao ponto de me sentir completamente desenganada. Então, depois de conhecer o movimento na internet, decidi virar uma feminista.




Pastor, toda mulher é carente de atenção masculina e isso não é diferente para as feministas. As pessoas olhando de fora podem imaginar que as feministas são lésbicas masculinizadas mas isso não é certo. Elas são mulheres como qualquer outra com alguma arenga enrustida. Assim, pra conseguir atenção masculina, a gente do grupo, praticava do que chamávamos de ativismo: pulávamos de página em página no facebook enchendo o saco alheio com falso moralismo e sexismo maqueado de igualitarismo sexual. De vez em quando a gente saia na rua com as tetas de fora para constranger as famílias alheias com nossa flacidez e nossos mamilos escurecidos. 

Cometi muitos crimes durante esses tempos e nunca fui presa porque as autoridades de hoje em dia são permissivas com os grupos extremistas de minoria, como as feministas, os gays e os macumbeiros. Atentado ao pudor, agressão, banho de água fervida, assalto, tortura, sodomia, agressão verbal, discriminação e até estupro já fiz. O homem estuprar a mulher é o maior crime que existe, mas a mulher estuprar um homem não era nada a não ser nosso direito determinado pela natureza, como fêmeas dominantes ( quase como rainhas de colmeias . O próprio conceito de estupro pras feministas é algo diferente: todo homem é um estuprador em potencial. Se um homem der um copo de cerveja para uma mulher e depois dormir com ela é estupro. Se um homem simplesmente tocar numa mulher sem que ela queira já é considerado estupro. Se ele pedir pra realizar coito com a esposa e ela não tiver muito afim é estupro. Se ele der um 'bom-dia' quando ela está de tpm e não quer falar com ninguém, também é estupro...

Mas graças a Deus tudo isso passou, eu sarei. O Naldo enfim reapareceu. Ele tinha se recuperado em Cristo e agora frequentava uma santa igreja, a Igreja do Primeiro Impacto. Logo assim que saímos do motel, raspei meu sovaco e fomos a IPI mais próxima para passar na unção do cajado de fogo. Me recuperei em nome do Senhor! Aleluia! Hoje sou mulher direita, casada a 3 anos, esperando nosso terceiro filho e ciente de todos os meus afazeres do lar.