Nascido de família evangélica, cresci em um lar cristão rigidamente inspecionado por meu pai, oficial de alta patente do exercito Brasileiro e doutor em teologia. Mamãe era um exemplo máximo de mulher temente a Deus, quase uma Sara dos mundos modernos. Amélia, do lado dela, não passava de uma insolente. Eu tinha 15 anos de idade( em 1964) quando os militares assumiram o poder deste país( e iniciaram anos aureos, a melhor época já vivida no Brasil). Papai, então, foi remanejado de Vitória, nossa cidade natal, para o Rio de Janeiro. Fixamos residência no bairro do Méier.
Próximo a nossa casa havia um terreiro de candomblé que todas as noites fazia soar, sem nenhum dia de descanso, nem aos sábados( dia consagrado a Deus), um tambor africano. Certa noite, papai me fez levantar da cama, entregou-me sua Walter PPK 7.65 mm( a mesma que matou Hitler) e ordenou que eu fosse ao terreiro tirar satisfações com os pagãos. Lá chegando, fui recebido por um homem ligeiramente calvo, usando roupas brancas e cordões ao redor do pescoço. Ele se indentificou com o nome de Edir e era um dos cultuadores daquele antro, um 'filho-de-santo'. Estranhamente , para mim, o homem era bastante eloquente e culto; eu, ao invés de cumprir as ordens de meu pai, troquei um breve papo com o Edir. Ele me falou de Deus e da Bíblia, confessou que já estava farto das encenações do umbanda( com fins de conseguir dinheiro dos assistentes) e estava preparado para tornar-se temente a Deus de verdade, um evangélico.
Por causa de Edir fiquei confuso do que fazer e retornei a minha casa sem cumprir a missão. Para não levar uma surra de meu pai( por não fazer o que ele mandou) liguei para a polícia militar e denunciei os macumbeiros, disse que usavam ervas alucinógenas para ficarem 'altos'. Felizmente, descobri depois que o Edir escapou da cana e tornou-se evangélico, sorte essa que os outros macumbeiros não tiveram ( pela Vontade de Deus, óbvio!).
No ano seguinte, com meus 16 anos, desposei minha mulher, Sara, que já estava-me prometida desde o nascimento. Comecei minha missão como pastor auxiliar na Assembléia de Deus de Magalhães Bastos, o Pastor titular era o Pastor Amorim. Anos mais tarde, por volta de 1982, descobri que aquele Edir que conheci no passado havia fundado uma Igreja, a Igreja Universal do Reino de Deus. Fui convidado por ele a tornar-me pastor daquela instituição de bem.
Por anos ministrei culto na IURD. Porém, divergências internas e denuncias forjadas,levaram-me( assim como ao irmão Waldemiro) a deixar a instituição, com bastante pesar no coração digo do fundo de minh'alma. Assim formei a minha própria Igreja, a Igreja do Azeite Quente, que anos mais tarde fundiu-se a Igreja do Primeiro Impacto.

O MILAGRE
Em 1990, estava fazendo uma ponte aérea Rondônia-Colômbia quando o bimotor particular de nossa Igreja deu pane e entramos em queda livre. No avião estavamos eu, o piloto( que só acordou no momento da queda) e um obreiro. Segurando o manche, eu orarava o salmo 23 e tentava domar os ares. Em vão. Então, ordenei aos outros dois que pegassem os dois únicos para-quedas e saltassem. Eles assim fizeram e eu fiquei só com Deus, orando a Ele por sua intercessão. Quando tudo parecia acabado, vi dois anjos segurando em cada uma das asas do bimotor e me guiando a uma pista de pouso. Um verdadeiro milagre!
A pista de pouso pertencia as Farc( Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Para os irmãos que não conhecem, Farc é um grupo de comunistas armados que vivem na floresta , consumindo drogas e testando suas armas de alto calibre. São bastante perigosos. Não preciso nem dizer que , por serem ateus (todo comunista é ateu), os homens deste grupo odeiam os escolhidos do Pai, os evangélicos. Visualmente drogados, eles me interceptaram ( todos armados com Avtomats Kalashnikovs 1947 ) e abriram a carga, que originalmente tinha Bíblias evangélicas. Novamente Deus fez outro milagre e no meio das Bíblias os guerrilheiros acharam munições de calibres diversos. Os comunistas ficaram tão felizes com a carga que me libertaram e deram-me uma alta quantia em doação; ainda por cima uma comunista muito parecida com Dilma pulou no meu colo e tascou-me um beijo. Uma cena que prefiro esquecer.
Retornei ao Brasil de carona em outro bimotor e fiz baldiação de caminhão até o Acre. Chegando a capital, Rio Branco, conheci um homem muito sábio e de grande compleição: o Pastor Aricleine. Ele estava estruturando uma nova Igreja, por revelação de Deus, e pregava na praça para todos ouvirem. Firmei acordo com o Pastor( dando o que recebi pelos guerrilheiros) e senti de imediato a mão de Deus me ungindo naquele momento. Desde aquele dia sou pastor da Igreja do Primeiro Impacto. Atualmente a minha Igreja do Azeite Quente tornou-se "Igreja do Primeiro Impacto - Ministério do Azeite Quente" e é dirigida por muitos pastores capacitados, como o Pastor Paulo, Pastor Genovevo, Pastor Cleitom e etc. Assim como Deus operou milagres na vida do Pastor Aricleine, Ele também operou em minha vida para que pudessemos nos ajuntar na missão de pregar a Palavra a todos os povos e nações!
Nunca mais ouvi falar do piloto ou do obreiro que pularam do avião. Devem ter perdido suas vidas pela pouca fé que nutriam.
Glória a Deus!
