sábado, 30 de março de 2013

O Don Juan da Cracolândia


Fim de semana chegava e eu sempre no osso, procurando alguma dama cheirosa pra galar. Mesmo namorando; e eu já namorava a 3 anos mas, meu chapa, pegar a mesma pepeca de sempre tem hora que cansa, é igual comer angu puro todo dia, arroz feijão e banana, ou esses pratos de comida estranhos que nossos velhos enchem o saco falando que só tinham isso pra comer zilênios atrás. Nem realizando fetiche, pensando na juju panicat, dando aquele migué da escapulida pro toba, sexo na rua, na cama dos sogros... nada disso mais interessava. Já preferia até entrar na covardia, 5 contra 1, com a Mayara Shelsom no xhamster.com, o segundo melhor site porno da internet. Meus amigos diziam pra eu contratar uma profissional mas eu acho deprimente ter de pagar alguém pra fazer sexo comigo, tem que ser espontâneo, natural, pode até ser meio que forçado mas 0 800, sabe?!



Um dia, então, quando voltava da pelada que rola na quadra da igreja evangélica lá perto de casa, todo quebrado, com um dente mole e o olho roxo das porradas que levei dos missionários ( que só entram em tesourada em quem não é da igreja), encontrei um amigo meu da época da escola ( do Brizolão Antônio Candeia Filho ali perto do amarelinho, em acari, na avenida brasil). Era chamado de Cuabara, porque ele tinha um cabelo meio enrolado e o topete meio pontudo pra frente, igual o personagem daquele desenho que passava na manchete, o yuyu rakucho, que tinha um espírita que atirava laser com o dedo. Agora mais velho o Cuabara mais parecia o Crusty o palhaço daquele desenho dos Simpsons.

Papo vai, papo vem; relembra o passado daqui, conta o que vem fazendo dali, fala umas merdas dos caras que eram os fodões na época do colégio e hoje já abotoaram o paletó de madeira (RIP), inventa umas mentiras pra contar vantagem ( fala que comeu as gostosas do colégio que nunca deram bola, ou que tá rico)... o habitual de conversas entre amigos de infância que não se veem a muito tempo. Nessa leva o Cuabara me vira e manda uma assim:

Porra, lelek, tu num sabe da maior. Tem um tempo isso , uns 2 anos, que eu voltei la no CIEP no amarelinho pra pegar o diploma e tal, sabe quem eu encontrei na cracolandia de lá, aquela que ficava em frente ao ponto?! Aquela mina, a Diana, dos tetão, tá ligado?! Tava toda suja, fedia a mijo. O que eu fiz: troquei uma idéia, fiz ela se sentir bem, uma pessoa amada, levei no matinho e tracei legal, rolou até butão. Delicia. Toda quarta, depois de deixar meu moleque mais novo na creche, eu voltava pra traçar a Diana, mas aí a cracolândia dali acabou e ela sumiu. Fiquei sabendo que tinha ido praquela ali da saída da ilha, no parque união, mas eu dei uma passada por lá dia desses e não achei. Deve ter morrido doidona de tanto cheirar crack.




Em casa, naquela noite, fiquei pensando no que ele tinha dito. Que essas cracudas e mendigas são mulheres de verdade e que também querem ser amadas, seduzidas e ter prazer. Saí a rua decido a experimentar. Encontrei a nega néia, uma mendiga de estimação lá do bairro, que fala sozinha com o capeta e que tem um carrinho cheio de corpos de bonecas barbie sem cabeça. Troquei um papo até cabeça com ela. A merda era que enquanto eu falava:

Que belos seios você tem aí, Néia

Ela respondia:

‐ Hihihi. Getulio vargas que foi um bom presidente não esse Fernando Henrique Collor aí.

‐ Ô , Neiazinha, com um banho, um shortinho curtinho, um tratamento bucal e dentadura, bem que você ficaria mais bonita que a Gisele bundchen.

‐ Edifício Joelma, pegou fogo, pegou fogo o Joelma, do Eucalipso.

‐ Néia, querida, pega aqui rapidinho, você vai gostar.

‐ Torrone é, é é , Montervergine. parampampam

Nessa ultima eu quase ri, mas no sufoco que tava eu não riria nem num stand up do Adnet com o Porchat e um monte de anão fantasiados de cenário ( nada é mais engraçado que anão fantasiado de mobília). Fiz o serviço sujo ( e bota sujo nisso) ali mesmo, pouco me liguei com o cheiro azedo. Acordei no dia seguinte e tava cheio de badalhoca ( esses pentelho enroladinho que fica cheio de bosta na bunda) colada nos bagos, parecia carrapicho agarrado em meia de algodão. Mas foi bom , eu gostei na época, tanto que fiquei nessa por uns 7 meses, e não só com a Néia, era frequentador assíduo da cracolândia na saída da ilha, era quase o amante latino delas ali. Devo ter engravidado no mínimo umas 12. Potência pouca é bobagem, irmão! Mas parei. Tive um desmaio súbido no meio da pelada na igreja (depois de uma voadora que levei nos peitos aplicada pelo irmão Toquinho, só porque ri dele)  e acordei boiando numa piscina. O pastor ( Mauro Feliciano) falou que eu tinha encosto(que peguei com as cracudas. Pra quem não sabe encosto é tipo uma doença espiritual, saca?!) e que tinha que entrar pra igreja e doar 20 porcento (vízimo) do meu salário para a Igreja do Primeiro Impacto  que é a única e verdadeira intermediária de Deus na terra  se não eu morreria. Aí eu me converti e estou dando meus testemunhos. Foram bons tempos mas hoje eu sou de Cristo e já estou até com meu casamento encaminhado com minha mulher. Paz

6 comentários:

Obreiro Fernando disse...

ô glóreas!!!

esse irmão era realmente cheio de encostos, vivia dando umaszinhas com perdidas da cracolandia, algumas delas animeiras (que gostam de animes) lotadas de encostos nos coros.

ainda bem que ele foi salvo...


a paz

Anônimo disse...

lol muito foda gostei da historia ri muito aki.

Anônimo disse...

It's an remarkable paragraph in favor of all the internet people; they will get advantage from it I am sure.

Here is my blog post ford ranger forum

Anônimo disse...

HARAMSHABALAS CARANCATERAS!

Me contorci em quanto lia esse relato, meu Deus, ainda bem que agiu na vida dele e continua agindo na minha.

Anônimo disse...

HARAMSHABALAS CARANCATERAS!

Anônimo disse...








Eu confesso os meus crimes para o Padre Raimundo, que era um homem de meia idade, branco, cabelo grisalhos, e olhos azuis, ele me fala que se eu realmente quiser o perdão de Deus terei que me confessar em publico durante a missa do domingo, digo pro padre que se eu me confessasse em publico acabaria sendo preso pelo delegado ou pior sendo morto pelos fazendeiros que eu roubei, o padre me garante que se eu me confessasse na missa receberia o perdão dos meus desafetos e nada de ruim aconteceria comigo, e então como eu acreditava na época que os padres eram homens de Deus confirmo com o padre que iria me confessar na missa.

Quando eu entro na Igreja nesse domingo vejo sentados nos bancos o delegado Madureira e todo o corpo policial do distrito, o coronel Onofre e vários outros fazendeiros todos acompanhados de jagunços muito bem armados, por falta de lugar eu sento do lado do delegado, felizmente ele não nota o meu nervosismo, eu pergunto pra ele porque toda a policia veio para a missa, ele me diz que o padre Raimundo foi na delegacia e disse que na missa desse domingo faria uma revelação surpreendente e ele fazia questão de que o delegado e todos os policiais comparecessem.

A primeira coisa que o padre fala após a procissão de entrada quando sobe no altar é:

_ Tem uma pessoa aqui na Igreja que hoje irá fazer uma revelação muito importante – Ele aponta na minha direção e diz.

_ Venha aqui Cleriosvaldo e diga o que tu tens para dizer.

Eu levanto do banco com o coração em tempo de sair pela boca e vou para o lado do padre no altar da igreja, todos ficam me olhando, fico alguns longos segundos parado ao lado do padre e olhando vagamente na direção dos fieis, até que o padre segura no meu ombro e fala “diga por que você está aqui hoje”, gaguejando e tremendo eu falo:

_ Eu… eu estoou aquui… aqui… pra prraaaa, é vim… vim… pra… – O delegado me interrompe alisando a arma na sua cintura e dizendo:

_ Desembucha logo o que tu tem pra dizer cabra!

Tomo coragem e falo a única coisa que poderia me salvar nessa hora:

_ Eu estou aqui para dizer que todos os meninos que nasceram com olhos azuis são filhos do padre Raimundo.

A igreja toda grita em couro “Pega”.

O delegado dá uns três tiros pra cima (o filho dele nasceu com olhos azuis), e todo mundo corre pra cima do padre, eu olho pro meu lado vejo o vazio e penso cadê o padre, o padre fugiu num tiro tão seco que eu acho que até hoje tem neguim procurando ele.

A partir desse dia nunca mais pisei os pés novamente em uma Igreja Católica, me redimi com Deus entrando na Igreja Assembleia de um município vizinho e usei o dinheiro que ganhei com os roubos de gado para comprar umas terrinhas e fundar a primeira Igreja Protestante do distrito de Vaca Gorda a qual eu me tornei o primeiro pastor, na década de noventa conheci o ungido Pastor Silas Adoniran Fonseca e entrei para Igreja Internacional me tornando um dos primeiros pastores baianos da mesma.

A Paz,

Pastor Cleriosvaldo Vergalhães Pintado

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